"Parece que eu sempre volto pro mesmo lugar...pras mesmas atitudes, mesmas pessoas. Pra mesma versão de mim mesma que eu não se eu fico feliz ou triste de ter deixado de ser. Eu sinta falta da antiga eu, a dos sorrisos e das esperanças. Aquela que era inocente e não ficava com raiva de nada, aquela que sonhava e não racionalizava nada. A que sentia e agia, a que amava sem pensar. A que vivia num conto de fadas, não pensava em ter que cuidar de ninguém além de si e seus desejos. A que usava saia curta e muita maquiagem e ainda acreditava que nada de mal lhe atingiria. Mas eu superei ela...
Por outro lado, parece que eu nunca vou estar livre daquela menininha alegre e meiga, eu nunca vou conseguir fazer nevar tanto no meu coração a ponto de soterra-la pra sempre. Algo sempre vai trazê-la a tona, seja uma música, uma poesia ou alguém que volte do passado e aqueça esse gelo que faço tanta questão de manter. E de repente voltam as músicas de doces melodias, voltam as cores pro meu cabelo, pro meu mundo.
E, de alguma forma, eu lembro de como eu amo essa pequena rebelde, essa louca que sempre que chove pensa em parar na chuva e só sentir a água. E, por mais que a grande e atual versão de mim queira buscar abrigo, ela se rende a esse conforto, a diversão, a possibilidade de só por um minuto esquecer do resto todo e curtir um pequeno prazer.
Eu nunca vou superar isso, essa vontade constante de voltar a pequenos prazeres e aos grandes amores. Eu nunca vou esquecer nenhum deles...não vou esquecer da alegria de dançar na chuva, ou de brincar de Sakura. Não vou esquecer os que amei, sequer vou esquecer dos que gostei apenas. Nada vai apagar a marca que cada momento deixou, a voz de um, o olhar de outro, a risada de uma amiga. Cada qual com seu lugar reservado e certo no meu coração gélido, somente esperando uma pequena mudança, uma pequena tarde de sol para ressurgir. Junto com a menina que os colecionou e aos poucos se perdeu no gelo, cada vez mais parada no tempo, cada vez mais contida dentro de si mesma."
Esse eh sobre como tudo na minha vida parece um ciclo, e se repete de tempos em tempos. Parece que estou presa nele, e as vezes eu só quero que algo seja novo. Ao mesmo tempo em que esse ciclo me oferece um conforto e familiaridade que me faz desejar que ele se mantenha. Uma contradição, como quase tudo que me diz respeito.
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